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	<title>Arquivo de proteção - ARTIGO 19</title>
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	<description>desinformação, eleições e liberdade de expressão</description>
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		<title>A Violência da Desinformação e os Ataques a Comunicadores no Brasil em 2018</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2019 23:17:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Os guardiões e a guerra à verdade”. Assim a revista americana Time nomeou sua tradicional matéria anual em que elege a pessoa do ano. Na capa, após o título, nomes de diversos jornalistas de todo o mundo, vítimas de ataques, ameaças, perseguições e assassinatos. Foram estas as pessoas do ano em 2018. A escolha não  [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Os guardiões e a guerra à verdade”. Assim a revista americana Time nomeou sua tradicional matéria anual em que elege a pessoa do ano. Na capa, após o título, nomes de diversos jornalistas de todo o mundo, vítimas de ataques, ameaças, perseguições e assassinatos. Foram estas as pessoas do ano em 2018.</p>
<p>A escolha não é simples homenagem, mas um alerta. De acordo com o registro de entidades diversas como Unesco, Comitê de Proteção a Jornalistas e Press Emblem Campaign, a violência contra jornalistas apresentou números alarmantes em 2018.</p>
<p>No Brasil a situação não é diferente. Eventos chave como a greve dos caminhoneiros e, especialmente, o processo eleitoral, desencadearam inúmeros casos de ataques a profissionais da comunicação por todo o país. E a ascensão das notícias falsas e seu papel nas eleições constituem um cenário particular dessas violações.</p>
<p>Jornalistas sofreram ataques justamente por sua atuação contra a desinformação, seja por seu trabalho como checadores ou pela investigação dos contextos de produção e disseminação de notícias falsas. Há situações ainda em que, mesmo não tendo atuado no combate ou investigação da desinformação, comunicadores se tornaram alvo de notícias falsas a seu próprio respeito.</p>
<p>O ambiente on-line é o campo principal desses ataques, que se dão de formas diversas. Vale notar que nesse espaço o limite entre público e o privado é difícil de distinguir, sendo que comunicadores frequentemente se valem de seus perfis pessoais em redes sociais para divulgar suas produções jornalísticas ou mesmo emitir opiniões. É justamente através desses perfis que boa parte das violações se dá, como ofensas em massa, invasão das contas, ameaças de agressão ou mesmo de morte.</p>
<p>Os amplos espaços de discussão que redes sociais constituem mostram inclusive que as violações envolvem reivindicações de sentido diversas para termos como “liberdade de expressão” e “censura”. Estes são termos em disputa, mobilizados com frequência por violadores para justificar suas ações. Para muitos, as ofensas e a descredibilização de comunicadores são formas de uso da liberdade de expressão; consequentemente, impedir ou coibir tais manifestações seria censura. As reações contrárias ao trabalho das agências de checagem de fatos são exemplo particular dessa disputa, uma vez que o próprio procedimento de checagem é taxado de censura.</p>
<p>Apresentamos aqui uma breve análise destes cenários em que o combate à desinformação serviu de pretexto para que comunicadores fossem atacados. Nosso propósito não é consolidar dados da totalidade destas ocorrências, tampouco afirmar que os casos aqui mostrados sejam mais relevantes do que outros. Trata-se, sobretudo, de ilustrar os contextos diversos em que estas violações ocorreram e a diversidade de suas formas. Dando visibilidade a tais formas de violência, podemos não apenas reconhecer sua existência, mas abrir caminhos para compreender suas causas e consequências.</p>
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		<title>&#8220;Quem Checa os Checadores?&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2019 22:18:58 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;">Repetida exaustivamente por parte do público que se deparou com o trabalho das agências de checagem, a frase “quem checa os checadores?” seria levada a cabo de forma peculiar em 2018.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">No mês de maio, o Facebook realizou uma parceria com as agências brasileiras Lupa e Aos Fatos tornando-as parte do programa de verificação de notícias da rede social. A proposta do programa é que notícias veiculadas no Facebook e denunciadas como falsas pela comunidade sejam remetidas aos checadores para que avaliam sua veracidade.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Caso confirmem que se trata de conteúdo falso, o Facebook passa a reduzir a distribuição orgânica desse conteúdo, diminuindo seu alcance aos usuários da rede. Os próprios textos das checagens também podem ser associados a publicação que foi analisada, aparecendo junto a esta como “artigo relacionado” no feed de notícias do usuário.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Além disso, a rede social notifica os produtores desse conteúdo quando suas publicações são submetidas a checagem. Uma vez que a publicação seja classificada como falsa, seus produtores não podem mais pagar para impulsioná-la e, assim, ampliar o público alcançado.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Embora inédita no Brasil, esta colaboração entre Facebook e agências de checagem já vinha ocorrendo em 13 outros países desde dezembro de 2016. É uma das medidas adotadas pela rede social após sua responsabilização como espaço de disseminação de desinformação.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Por aqui, contudo, a medida foi recebida com forte reação contrária, surpreendendo a própria equipe do Facebook. Questionamentos sobre a legitimidade do trabalho das agências foram logo levantados em ambos os lados do espectro político, bem como acusações de que o acordo lhes daria poder de censurar determinados indivíduos e grupos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Entretanto, não foi apenas no plano do debate sobre os poderes e limites da checagem que as reações se deram. Eis que entra em marcha a “checagem de checadores”.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Profissionais de agências de checagem foram alvo de ofensa e difamação massiva nas redes sociais. Destaca-se nesse episódio a produção de um documento intitulado “Auditoria de Viés Partidário dos Censores”, cuja elaboração é atribuída a um grupo denominado Frente pela Liberdade de Expressão no Facebook.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O texto, divulgado nas redes, constitui uma espécie de dossiê que visa apontar, segundo dito na primeira de suas 299 páginas, o viés ideológico dos membros das agências de checagem Lupa, Aos Fatos e da Agência Pública de jornalismo, onde também opera uma agência de checagem, a Truco. Além destes, são expostos acadêmicos, influenciadores e jornalistas que seriam figuras principais na  “hierarquia de censores”.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Ao longo de suas 299 páginas, o documento expõe imagens capturadas dos perfis destas pessoas (fotos, publicações escritas ou republicação de conteúdos de terceiros) que permitiriam classificá-las como sendo de esquerda ou extrema esquerda. Com isso, ataca a credibilidade do trabalho dos checadores para acusá-los de, em conluio com o Facebook, promoverem um ciclo de censura a conteúdos de direita.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A publicização de documentos como este dossiê promove uma forma depreciativa e difamatória de visibilidade aos comunicadores. Independente dos propósitos com que justifique sua existência, o documento motiva posturas de ataque e exposição ofensiva das pessoas que retrata, e reafirma uma postura de descredibilizar comunicadores ignorando os critérios que fundamentam seu trabalho nas agências de checagem.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O episódio ilustra uma face dos dilemas de credibilidade do jornalismo. O questionamento dos checadores enquanto figuras pessoais e seu trabalho mostra ter por trás uma concepção de credibilidade vinculada à figura pessoal do repórter e suas eventuais preferências pessoais, como se este fosse incapaz de atuar em nome de critérios profissionais que se sobreponham a estas preferências. Em suma, aqueles que questionam o trabalho dos checadores desconsideram os critérios que devem orientar esta prática.</span></p>
<p>O post <a href="https://desinformacao.artigo19.org/2019/01/22/quem-checa-os-checadores/">&#8220;Quem Checa os Checadores?&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://desinformacao.artigo19.org">ARTIGO 19</a>.</p>
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