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	<title>Arquivo de P2 - ARTIGO 19</title>
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	<description>desinformação, eleições e liberdade de expressão</description>
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		<title>&#8220;Quem Checa os Checadores?&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[artigo19]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jan 2019 22:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[C3]]></category>
		<category><![CDATA[checadores]]></category>
		<category><![CDATA[comunicadores]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;">Repetida exaustivamente por parte do público que se deparou com o trabalho das agências de checagem, a frase “quem checa os checadores?” seria levada a cabo de forma peculiar em 2018.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">No mês de maio, o Facebook realizou uma parceria com as agências brasileiras Lupa e Aos Fatos tornando-as parte do programa de verificação de notícias da rede social. A proposta do programa é que notícias veiculadas no Facebook e denunciadas como falsas pela comunidade sejam remetidas aos checadores para que avaliam sua veracidade.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Caso confirmem que se trata de conteúdo falso, o Facebook passa a reduzir a distribuição orgânica desse conteúdo, diminuindo seu alcance aos usuários da rede. Os próprios textos das checagens também podem ser associados a publicação que foi analisada, aparecendo junto a esta como “artigo relacionado” no feed de notícias do usuário.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Além disso, a rede social notifica os produtores desse conteúdo quando suas publicações são submetidas a checagem. Uma vez que a publicação seja classificada como falsa, seus produtores não podem mais pagar para impulsioná-la e, assim, ampliar o público alcançado.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Embora inédita no Brasil, esta colaboração entre Facebook e agências de checagem já vinha ocorrendo em 13 outros países desde dezembro de 2016. É uma das medidas adotadas pela rede social após sua responsabilização como espaço de disseminação de desinformação.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Por aqui, contudo, a medida foi recebida com forte reação contrária, surpreendendo a própria equipe do Facebook. Questionamentos sobre a legitimidade do trabalho das agências foram logo levantados em ambos os lados do espectro político, bem como acusações de que o acordo lhes daria poder de censurar determinados indivíduos e grupos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Entretanto, não foi apenas no plano do debate sobre os poderes e limites da checagem que as reações se deram. Eis que entra em marcha a “checagem de checadores”.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Profissionais de agências de checagem foram alvo de ofensa e difamação massiva nas redes sociais. Destaca-se nesse episódio a produção de um documento intitulado “Auditoria de Viés Partidário dos Censores”, cuja elaboração é atribuída a um grupo denominado Frente pela Liberdade de Expressão no Facebook.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O texto, divulgado nas redes, constitui uma espécie de dossiê que visa apontar, segundo dito na primeira de suas 299 páginas, o viés ideológico dos membros das agências de checagem Lupa, Aos Fatos e da Agência Pública de jornalismo, onde também opera uma agência de checagem, a Truco. Além destes, são expostos acadêmicos, influenciadores e jornalistas que seriam figuras principais na  “hierarquia de censores”.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Ao longo de suas 299 páginas, o documento expõe imagens capturadas dos perfis destas pessoas (fotos, publicações escritas ou republicação de conteúdos de terceiros) que permitiriam classificá-las como sendo de esquerda ou extrema esquerda. Com isso, ataca a credibilidade do trabalho dos checadores para acusá-los de, em conluio com o Facebook, promoverem um ciclo de censura a conteúdos de direita.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A publicização de documentos como este dossiê promove uma forma depreciativa e difamatória de visibilidade aos comunicadores. Independente dos propósitos com que justifique sua existência, o documento motiva posturas de ataque e exposição ofensiva das pessoas que retrata, e reafirma uma postura de descredibilizar comunicadores ignorando os critérios que fundamentam seu trabalho nas agências de checagem.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O episódio ilustra uma face dos dilemas de credibilidade do jornalismo. O questionamento dos checadores enquanto figuras pessoais e seu trabalho mostra ter por trás uma concepção de credibilidade vinculada à figura pessoal do repórter e suas eventuais preferências pessoais, como se este fosse incapaz de atuar em nome de critérios profissionais que se sobreponham a estas preferências. Em suma, aqueles que questionam o trabalho dos checadores desconsideram os critérios que devem orientar esta prática.</span></p>
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